Colunista fala sobre a atuação colorada contra o Botafogo
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| Foto: Cleber Mendes, Lancepress |
Nesta quinta-feira, no Rio, o Inter foi épico em alguns momentos e desastroso em outros.
O dirigente Souto Moura declarou, na Rádio Gaúcha, que deu uma ordem a Dunga, no intervalo do jogo: “O Inter tem que bater”. Tem que bater! Completamente equivocado o dirigente.
Em primeiro lugar por ter feito a declaração pública. Dizer que mandou bater é um absurdo quase tão grande quanto dizer que mandou comprar o juiz. Depois, Souto de Moura tentou corrigir alegando que queria que o Inter cometesse mais faltas, “o que é legal”. Não adiantou. A bobagem já tinha sido dita.
O segundo erro do dirigente foi no conceito: não é batendo que um time vence, nem fazendo mais faltas; é jogando mais.
Dunga também errou. Partiu histericamente para cima de um gandula, repetindo o que Luxemburgo fez meses atrás em um Gre-Nal. Quer dizer: antes, o Inter defendia o gandula; agora o agride. Mais tarde, nas entrevistas, Dunga usou a manjada estratégia de atribuir a um coletivo vago e impreciso um ataque que justificaria seus atos. “Não dizem que eu sou retranqueiro?”, queixou-se. Ora, “quem” diz que ele é retranqueiro?
Não lembro de ter lido ou ouvido essa crítica a Dunga desde que ele entrou no Inter.
A verdade é que o Inter está, sim, tomando muitos gols. A matemática não mente. E outra verdade é que o técnico é quem tem a responsabilidade de arrumar a defesa. O ataque se resolve no talento do atacante, a defesa se resolve na organização. Logo, a solução tem de partir de Dunga.
Pode ser que ele esteja encontrando vários problemas internos e de carência de jogadores, mas a responsabilidade é, sim, dele.
Mas o jogo não foi ruim para o Inter. Ao contrário, foi bom, quase ótimo. Scocco mostrou suas qualidades e, o principal, o time mostrou indignação. E aí está um predicado de Dunga: ele sabe motivar os jogadores. É o chamado técnico bom de vestiário.
O Inter está bem no Campeonato, é um dos candidatos ao título. Faltam pequenos ajustes, talvez dar um descanso ao goleiro Muriel, talvez fixar um centromédio na frente da zaga. Não é muito do que o Inter precisa para atingir a excelência. Seus comandantes podem, muito bem, ser um pouco mais comedidos em suas ações e declarações.
Fonte: Zero Hora

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