domingo, 14 de julho de 2013

Ex-base do Inter-RS ganha cidadania no Canadá e vira alvo para seleções

Catarinense Frederico Moojen, que joga em Montreal, é chamado para atuar por equipes nacionais de futsal e futebol de areia. Ele agora quer a de campo

A praia e o calor que aproveita em suas férias no Brasil não são a mesma realidade que vive no Canadá. O constante cenário que encontra por lá, muitas vezes com neve e muito frio, tende a ser o mesmo nos próximos anos. Diferenciado nos tempos de colégio no Brasil e astro em torneios universitários nos Estados Unidos, hoje Frederico Moojen é requisitado para vestir a camisa de seleções nacionais do Canadá, como as de futsal e futebol de areia, já que ganhou a cidadania canadense há pouco tempo.
Frederico Moojen, no dia em que recebeu a cidadania canadense
(Foto: Arquivo Pessoal)
Nascido e criado em Balneário Camboriú, Fred, assim chamado por amigos e familiares, traçou seu início de carreira no Sul. Primeiro, nas categorias de base de Marcílio Dias e Avaí, de Santa Cataria, e do Internacional. No clube de Florianópolis, ficou entre 2001 e 2004, até decidir sair do país, para estudar. Nos Estados Unidos, o meia habilidoso não largou a bola. Ao mesmo tempo em que brilhava em torneios universitários, cursava faculdade, primeiro de Administração, na Lincoln Memorial, no Tennessee, e Ciências Políticas e Economia, na conceituada Clemson University, na Carolina do Sul.

Fred, em ação pelo FC L'Assomption, de Montreal
(Foto: Arquivo Pessoal)
– Aprendi muito bem outras línguas, como inglês, francês e espanhol. Também aprendi a me adaptar aos poucos ao futebol norte-americano, mais forte fisicamente e mais direto que no Brasil. Por ter jogado numa grande universidade, as portas para jogar profissionalmente, na América do Norte, principalmente, se abriram. Foram três anos muito importantes, com muito trabalho e dedicação, que me ajudaram a chegar onde eu estou hoje – conta Fred, sobre a importância dos estudos em sua carreira.
Hoje, como conta o jogador, ele está em Montreal, no estado do Quebec. Pelo FC L’Assomption, foi eleito um dos três melhores jogadores de uma recém-criada liga profissional no Canadá. O meia chegou ao país em 2007, e, entre idas e vindas para times dos EUA, Europa, Ásia e Arábia Saudita, vive lá desde então com a esposa, na mesma cidade onde tudo começou profissionalmente. Antes, brilhou na universidade.
– Atraí muito interesse de diversos times profissionais dos Estados Unidos, Canadá e Europa, e assinei meu primeiro contrato profissional com o Montreal Impact, um dos maiores times do Canadá. A partir daí, dividi entre campo, no verão, e a Major Indoor Soccer League, no inverno. Como sempre tive certo destaque, surgiu o interesse da seleção de futsal e futebol de areia do Canadá – conta Fred.

Se continuar com destaque,
ser chamado para a seleção
de campo seria possível"
                                              Frederico Moojen 


Ainda este ano, diz o jogador, ele fará suas primeiras viagens para defender o Canadá em amistosos e competições nas quadras e areias. Em 2012, a seleção de futsal se aproximou com o interesse para que disputasse as eliminatórias para o Mundial. Desde então, conta, foi ajudado a tirar a cidadania canadense, há poucas semanas. Já cidadão do Canadá, Fred agora está apto a defender as equipes nas próximas competições, entre elas as classificatórias para o Mundial de futebol de areia e até de futevôlei. Agora, o desafio é continuar atuando bem pela sua equipe em Montreal para poder ser lembrado e convocado para a seleção do Canadá de futebol de campo.
– Eu não penso muito nisso. Creio que agora, com passaporte canadense, as portas irão se abrir ainda mais, para a seleção de campo quem sabe. Acredito que se continuar tendo destaque aqui, uma convocação para a seleção de campo seria possível também. Importante mesmo é continuar me dedicando e estar pronto para defender o Canadá em qualquer seleção que eu seja convocado – diz o catarinense.
Morando muito bem no Canadá, num país desenvolvido e organizado, Fred também vem atuando para que novos talentos sejam descobertos no Brasil, e tenham a chance que teve, de poder estudar em universidade dos Estados Unidos. Em março de 2014, em parceria com José Pereira, responsável pela parte no Brasil, ele organizará, pela segunda vez em Santa Catarina, uma seleção para que estudantes tenham a chance de serem observados por técnicos americanos e concorrerem a bolsas de estudos.

Com Lalas e Balboa, zagueiros dos EUA na
Copa de 1994, em jogo indoor (Foto: Arquivo Pessoal)
Aos 30 anos, um assunto que Fred sempre teve que responder, e do qual sempre foi muito seguro, foi a sua não ida, ou tentativa de ir, para um time da Major League Soccer, a liga profissional dos EUA. Após se destacar na universidade, um convite para o draft, evento em que times da MLS escolhem jogadores recém-graduados, era o esperado. Isso passou, e Fred se sente bem com sua carreira. Uma volta definitiva para seu país de origem, no entanto, está descartada por agora. Fred quer se dedicar a jogar futebol de campo e indoor até quando der.
– Gosto bastante da fazer isso, jogar campo por sete meses e indoor por 5 meses, continuarei fazendo isso. Em alguns anos, quando parar de jogar, a ideia seria ficar metade do ano no Brasil com a família e a outra metade aqui em Montreal, onde tenho outros negócios também. A questão da MLS sempre me perguntam, e eu não tenho uma resposta, as coisas foram acontecendo assim. Continuei jogando campo e indoor, e isso acabou não me dando muito tempo de pensar ou ir atrás da MLS. Joguei campo em alguns outros países e ligas mais fortes que a MLS, na minha opinião.

Fred, pelo Montreal, contra o Flamengo, em torneio de futebol de areia no Canadá
(Foto: Arquivo Pessoal)

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