Treinadores que se enfrentam na 8ª rodada do Brasileirão foram os antecessores de Felipão
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| Foto: Montagem sobre fotos AFP e CBF |
Dois homens e seus grandes feitos estarão frente a frente neste domingo, a partir das 16h, na gelada Caxias do Sul. Dunga e Mano Menezes se encontram naquele que pode ser o último jogo colorado no Estádio Centenário - o clube já conta com a liberação do Estádio do Vale para mandar seus jogos em Novo Hamburgo.
Os técnicos de Inter e de Flamengo, que se enfrentam pela 8ª rodada do Brasileirão, foram os antecessores de Felipão na Seleção Brasileira. Têm no currículo passagens históricas no futebol. Dunga, como o capitão do Tetra, após reconstruir-se da eliminação na Copa de 90, quando o fracasso foi injustamente alcunhado por Era Dunga. Mano, liderando o Grêmio na lendária Batalha dos Aflitos.
Dunga conseguiu manter-se por mais tempo na Seleção, conquistou a Copa América e a das Confederações e disputou a Copa da África do Sul, além da medalha de bronze nos Jogos de Pequim. Mano não chegou ao Mundial, conquistou a prata nas Olimpíadas de Londres e bateu a Argentina nos desafios com equipes locais. A temporada 2013 surgiu com Dunga treinando o seu primeiro clube e com Mano retomando a carreira sete meses depois de um período sabático após a demissão da CBF. Dunga está no Inter desde dezembro, enquanto Mano recém assumiu o sempre badalado Flamengo. E ambos com a missão de remontar as suas equipes e voltar a conquistar os grandes títulos.
2012: Mano sai da Seleção; Dunga assume o Inter
A tumultuada temporada 2012 entrava em suas semanas finais quando a direção do Inter decidiu que Fernandão não permaneceria no comando do vestiário. E que um nome de peso precisava ser contratado. Enquanto o Inter fechava-se em reuniões a fim de buscar uma solução, no Rio de Janeiro, outra importante decisão ganhava corpo.
Com a queda de Ricardo Teixeira e a ascensão de José Maria Marin, a CBF também tomava decisões graves. Uma delas foi a demissão de Mano Menezes. O gaúcho nascido em Passo do Sobrado, deixava a Seleção Brasileira com um aproveitamento de 69,9% em 33 partidas (com 21 vitórias, seis empates e seis derrotas) - muitas delas contra adversários inexpressivos, como o Gabão. Mano sempre cobrou amistosos de maior peso, grife e relevância, porém, os contratos da CBF com os patrocinadores muitas vezes faziam com que o Brasil jogasse contra Irã, Bósnia, Iraque e Egito. Mas isso não serviu de escusas para a manutenção de Mano. Que foi trocado por Felipão.
Mano Menezes é um nome elogiado no Beira-Rio desde os tempos de Fernando Carvalho. Antes de formar o bom time do Guarani de Venâncio Aires, campeão da etapa inicial do Gauchão de 2002, ou do surpreendente terceiro lugar com o 15 de Campo Bom, na Copa do Brasil de 2004, de salvar o Caxias do descenso à Série C, ou de reconstruir o Grêmio, em 2005, Mano treinou as categorias de base do Inter. E foi o primeiro nome cogitado para assumir o clube em 2013. Não houve negociação porque Mano não quis conversar com ninguém. A seu agente, Carlos Leite, informou que não estava no mercado e que precisava de um tempo. Só depois de alguns meses de férias aceitaria conversar com algum clube. O recesso coincidiu ainda com os primeiros meses de vida do neto Lucas.
– Só voltei a treinar agora porque, antes, precisava descansar um pouco mesmo. Curtir ser avô. Arejar a cabeça, avaliar o que havia acontecido na Seleção e parar para pensar. Não quis assumir nada muito em cima. Dois dias depois de deixar a Seleção já contava com ofertas, mas não conseguiria ser quem eu gostaria – justifica Mano.
A Seleção Brasileira é um tema proibido para o técnico do Flamengo.
– Não quero mais falar sobre Seleção. Faz parte do passado. No futebol, existe o momento de falar e o momento de ouvir. Agora, estou no momento de ouvir. A Seleção ganhou a Copa das Confederações e os vencedores foram outros. Eles é que estão com a palavra – declara Mano Menezes.
Com Mano Menezes fora de jogo, o Inter recorreu a Dunga.
A derrota de virada para a Holanda, por 2 a 1, em Port Elizabeth, com um jogador a menos após a expulsão de Felipe Melo, nas quartas de final da Copa do Mundo, custou a carreira de Dunga na Seleção Brasileira. Mesmo sem convocar Ronaldinho para o torneio, a equipe fazia boa campanha na África do Sul. E jogava bem até cair. Era 4 de julho, um domingo à tarde, quando Dunga teve o seu contrato findado com a Confederação Brasileira de Futebol, após uma campanha de 68 jogos, com aproveitamento de 77,9%.
Dunga voltou a Porto Alegre e seguiu a vida em Ipanema, na zona sul da Capital, onde muitas vezes parava de forma atenciosa para tirar fotos e dar autógrafos entre uma caminhada e outra no calçadão da Avenida Guaíba. Foi procurado pelo Inter ainda no final do ano passado. Formado nas categorias de base do Beira-Rio, onde chegou de Ijuí aos 15 anos de idade, Dunga sempre esteve atento às coisas do Inter. Além de morar na mesma cidade, já havia sido capitão do clube. Em 1999, entrou para a galeria dos heróis colorados ao marcar o gol sobre o Palmeiras e preservar um dos grandes patrimônios do Inter: jamais ter jogado a Série B. E, com Dunga, D'Alessandro voltaria a viver uma grande fase. São amigos e a direção sabia que o argentino retomaria o futebol de anos passados no vestiário do ex-capitão.
– O que mais me gratificou no período como técnico da Seleção foi ter resgatado nos jogadores o espírito patriota. Jogadores eram convocados e até entravam em atrito com os clubes para serem liberados. Eles retomaram o orgulho em defender a Seleção Brasileira – destaca o treinador do Inter.
Diferenças entre Dunga e Mano pesam mais que as semelhanças
As semelhanças entre Mano Menezes e Dunga passam pelas categorias de base do Inter, por serem contemporâneos (Mano tem 51 anos, Dunga completará 50 em outubro), e por terem treinado a Seleção Brasileira. Mas elas vão parando por aí. São conhecidos, não amigos. Longe disso. E as histórias de CBF causaram algum desconforto entre os dois.
Uma das cenas marcantes de Dunga como treinador da Seleção foi a sua interpelação ao jornalista da Rede Globo Alex Escobar, durante uma entrevista coletiva na África do Sul. Assim que Mano foi indicado para a sucessão, a CBF enviou ao jornalista uma camisa da Seleção Brasileira, autografada por todos os atletas convocados pelo novo treinador, com o número 10 às costas e o nome: Escobar. A entidade queria deixar claro que os tempos haviam mudado.
– A Seleção passou. Cada um fez o seu trabalho e teve o resultado daquilo que plantou. Será uma equipe contra a outra, cada um fará o seu trabalho – respondeu Dunga, durante a coletiva de sexta-feira, quando questionado pelos repórteres sobre o encontro com o Flamengo, de Mano.
Nos bastidores da Seleção Brasileira o que ficou foi um melhor relacionamento geral de Mano Menezes com a política da entidade. Já Dunga impunha mais regras, a seu modo, exigia o corte de determinadas regalias históricas da CBF e conseguiu definir um time e um esquema tático ainda cedo. Mano sofreu com a transição da Seleção e com um certo período de entressafra. Os jogadores adoravam o estilo de Dunga - e de Jorginho, também campeão do mundo e auxiliar técnico -, que havia transformado o vestiário em uma espécie de trincheira, blindando o elenco. Em determinado momento, o goleiro Julio César disse que só concedia entrevistas porque era obrigado pela CBF. Era a Seleção contra o mundo.
Mano confirma a falta de relação com Dunga. E mais: entende que os técnicos brasileiros mal conversam entre si. Defende maior união da classe e faz um mea culpa:
– Eu e Dunga nos encontramos poucas vezes. Nunca sentamos para conversar, nunca tivemos uma oportunidade. Técnico brasileiro não senta para discutir os problemas. Não nos preocupamos muito com isso. É uma culpa geral, de todos. Fomos criados assim, nos acostumamos com isso, é preciso mudar, pois podemos aprender bem mais uns com os outros. Mas não temos esse hábito, infelizmente.
Nesse domingo, dois dos gaúchos que comandaram o Brasil se enfrentarão pela primeira vez. Em Caxias do Sul e brigando para provar que podem voltar às grandes conquistas.
MANO MENEZES:
"Eu e Dunga nos encontramos poucas vezes. Nunca sentamos para conversar, nunca tivemos uma oportunidade."
DUNGA
"A Seleção Brasileira passou. Cada um fez o seu trabalho e teve o resultado daquilo que plantou."
BRASILEIRÃO - 8ª RODADA - 21/7/2013
INTER: Muriel; Gabriel, Índio, Juan, Kleber; Josimar, Willians, Fabrício, D'Alessandro; Forlán, Jorge Henrique. Técnico: Dunga
FLAMENGO: Felipe; Léo Moura, Marcos Gonzáles, Wallace, João Paulo; Diego Silva, Elias, Bruninho, Paulinho; Carlos Eduardo, Marcelo Moreno. Técnico: Mano Menezes
16h
Arbitragem: Guilherme Ceretta de Lima, auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho e Danilo Ricardo Simon Manis (trio paulista). Local: Estádio Centenário, em Caxias do Sul.
Ingressos: cadeira R$ 70, arquibancada central R$ 50, arquibancada popular R$ 30 e visitante R$ 30 (sócios têm 50% de desconto).
O jogo no ar: a Rádio Gaúcha abre a jornada às 15h. A RBS TV transmite o jogo ao vivo para todo o Estado, menos para a região de Porto Alegre. O canal PFC 2 transmite ao vivo. Acompanhe o minuto a minuto em www.zerohora.com/jogoaovivo.
Fonte: Zero Hora

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