quinta-feira, 20 de junho de 2013

Tite sobre Adriano Imperador: "Tentei ser carinhoso, amigo, pai e coronel"

Ex-técnico do atacante elogia força física do jogador, mas lamenta não ter conseguido ajudar

Entre 2011 e 2012, Adriano Imperador foi jogador do Corinthians
Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Alcanço Tite por celular no Centro de Treinamento do Corinthians, no Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo. No seu quarto, descansando depois do trabalho da manhã e do almoço, ele tem 20 minutos disponíveis. Queria assistir com atenção ao jogo entre Brasil e México pela TV, mas só os primeiros 45 minutos. Pediu para gravar a segunda parte, que cairia bem no começo do treino da tarde. Verá a partida à noite, em casa.

Não é o Corinthians, nem a Seleção, o que me interessa. Quero saber sobre Adriano Leite Ribeiro, 31 anos, talvez a contratação mais polêmica da centenária história colorada. 

O gaúcho Tite treinou o Imperador em 2011 e em 2012. Sabe quem ele é, muito mais do que o Inter e do que nós. Mas mede as palavras com o cuidado dos técnicos de futebol que falam de jogadores depois que passaram por suas mãos. Ele acha que fez de tudo que estava ao seu alcance para colocar a camisa 9 em Adriano.

– Torço por ele, sinceramente. Quero vê-lo forte e firme contra o Corinthians numa partida do Brasileirão. Ficarei feliz se ele se recuperar como homem e jogador de futebol. No caso de Adriano, um não vive sem o outro.

Você não conseguiu fazê-lo jogar no Corinthians?, pergunto.

– Olha, vou ser sincero. Tentei de tudo com o Adriano. Tentei ser carinhoso, amigo, pai e coronel. Conversei. Briguei com ele e discuti, só nós dois. Conversei. Falei outra vez. O Corinthians fez coisas para o Adriano que não sei se um pai faria para seu filho.

O que acontecia?

– Questões extracampo, que eu não quero falar por respeito ao jogador. Ele não se controlava. Vivia num mundo próprio.

Tite não quer mesmo tocar dos problemas pessoais do jogador, sempre fora do clube, nem interessa mesmo. Evita detalhar, listar. Sabe que o centroavante precisa de acompanhamento médico constante, diário. Bom, o treinador só repete aquilo que os jornalistas italianos já diziam desde os gloriosos anos do atacante na Itália, entre 2001 e 2011, com passagens por São Paulo (2008) e Flamengo (2009/2010).

– Um dia reuni todos os jogadores e pedi. “Ajudem o Adriano. Se vocês quiseram ajudar, é agora”. Foi bem no finalzinho da etapa dele no Corinthians. Mas o Adriano não se ajudava.

Como ele é no dia a dia do clube?

– Parece um menino, cativa todo o mundo.

Ele treina com vontade?

– É um cavalo. Treina duas horas se o preparador físico pedir. Tem uma força descomunal. O jogador todos conhecem. É de Seleção, chuta, cabeceia e faz o papel de pivô como poucos. Mas depois da boa aplicação nos trabalhos físicos, deixava o clube e jogava fora duas horas de treino. Tudo fora...

A conversa está no fim. A Seleção já está no Castelão, em Fortaleza. Tite se despede, antes diz:

– No Corinthians, o Adriano não aceitava uma mão estendida. Uma pena. Tomara que o Inter consiga. Torço por ele.

Tite parece tocado. Ele tentou mesmo ajudar Adriano. Perdeu a partida. Sente a derrota 15 meses depois da dispensa do jogador do Corinthians. 

Fonte: Zero Hora

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